16/11/09

De volta à cozinha perdida


Peixinhos da horta, carapauzinhos, pregado frito. Na sequência, rodovalho cozido com molho verde, arroz de pombo bravo e encharcados. Não, não estamos num restaurante ultra moderno, cheio de receitas estranhas. Ao contrário, esses pratos representam uma tradicional cozinha portuguesa, que ao longo do tempo, foi se perdendo. Esse resgate é justamente o que faz o Pap’Açôrda, em Lisboa, restaurante referência na cidade. Lá, o chef Fernando Fernandes, mostra que dá para fazer cozinha típica e de olho nas tendências, torná-la mais atual, sem ser moderna demais. A casa, que fica no bairro Alto, que carrega da fama de boêmio, e é despojada tal como tal, sem firulhinhas gastronômicas. Simplesmente gostoso de ir. Aviso aos chocólatras: a mousse de chocolate, densa e meio amarga, é mega famosa. Não delirem, mas o garçom vem à mesa, com uma generosa bacia (bacia mesmo) da delícia e vai colacando, em seu prato, colheradas à vontade. E pode repetir! Fica na Rua do Atalaia, 57-59, tel. (351) 21 346 48 11, Metrô Baixa-Chiado, Lisboa.

Charutos do bem


Apreciadores de um habano não podem deixar de visitar a Dannemann, a mais antiga fábrica de charutos do Brasil. Fundada na segunda metade do século XIX, pelo alemão Gerhard Dannemann, fica na pequenina São Félix, no Recôncavo Baiano. As plantações ficam na região e na sede, no centrinho histórico, há um espaço cultural com exposição de objetos que, ao longo da história, foram usados no fabrico de seus produtos. Curiosidade: só mulheres fazem os charutos e ali, dá para vê-las, devidamente trajadas de baianas, em ação. De quebra, quem passa por lá, pode participar do projeto "Adote uma árvore". É só escolher um espécie, preencher o cadastro e pronto, você já é "dono" de uma. E contribui para a recuperação ambiental e reflorestamento da Fazenda Capivari, situada nessa região e famosa pelas plantações de fumo no Estado. Um mês depois, você recebe em casa a foto de sua arvorezinha e um certificado dizendo que "fulano, em tal dia, adotou tal espécie. O número de sua árvore é 12345 e está situada no lote 123". De tempos em tempos, eles atualizam a foto e dá para monitorar, com esse código, a quantas anda a sua "afilhada", pelo site. Lagartixa por exemplo, já tem uma "Aroeirinha", que gosta de locais úmidos e ensolarados, tem flor branca e é muito bonita quando é época dos frutos, vermelhinhos. http://www.dannemann.com.br

15/11/09

Brinde italiano


Se está de viagem marcada para o Vêneto e não quer pegar mico, decore esse nome: spritz. Essa é a bebida típica da região italiana, localizada no nordeste da Bota, marcada por cidades como Veneza, Verona, Pádua. Originalmente, leva vinho branco, água com gás, Aperol (algo parecido com Campari) e azeitona. Por lá, é um ritual diário e a pedida perfeita para animar o happy hour. Na bela cidade de Treviso, por exemplo, a região da Piazza dei Signoria, cheia de barzinhos e restaurantes, o drinque é um hit e está em quase todas as mesas. E sempre vem com um acecipe cortesia, como chips de batata, pistache, castanhas...

Ver tudo, em pouco tempo


Desembarcou numa cidade estranha e tem poucos (ou apenas um) dia para desbravá-la. Então, corra! Ou melhor, vá de ônibus. Aposte no City-Sightseeing, sim, aqueles ônibus vermelhos de dois andares. Não pense que é mico turístico não. É bom porque faz um panorama geral de todas as atrações que você tem que ver, com direito em parar em quais quiser, quantas vezes desejar. Aí, você não vai voltar com cara de paisagem quando alguém de perguntar você viu o Duomo, o David, a piazza Michelangelo, a Casa di Dante, a Ponte Vecchia em Firenze? Ufa, até tira o fôlego de tanta coisa para ver em pouco tempo. Na bela cidade italiana, berço do renascimento e capital da Toscana, o passeio custa 22 euros, vale o dia todo e dá direito à dois roteiros: o imperdível e região das colinas nos arredores. Já em Nova York (foto), há várias opções de tickets, veja o que mais combina com a sua estadia. Bom exemplo: 3 dias, por 45 dólares, você pode subir e descer quantas vezes quiser, em todas as quatro linhas. Cada uma vai para um canto da cidade e ainda dá direito à Big Apple à noite e taxi aquático para a Estátua da Liberdade (de quebra, tem a melhor vista de Manhatan, coisa de filme). O serviço rola em 80 destinos, como Londres, Paris, Roma, Sidney, Cape Town... Dica: vai passar por várias cidades, guarde os tickets, porque ganha desconto. www.city-sightseeing.com

Cool até no nome


Chega de mesmice! Esqueça diagramação quadrada, página branca, título azul, toda aquela coisa bem sem graça. O Le Cool chegou para dar vida (colorido e modernidade) aos guias de turismo. A publicação, claro, surgiu na Europa e traz as edições de Barcelona, Madrid, Londres, Lisboa, Istambul, Dublin, Budapeste e Moscou. E não é bacana só pelo visual. Se é todo modernete, as dicas não iriam ficar no óbvio. É cheio de programinhas descolados, indicados por gente antenada que vive a cidade. A única regra, não ter padrão. Quer um? Peça para um amigo ou coloque na lista de comprinhas da próxima viagem. O caminho das pedras, nada de livrarias convencionais. Só é vendido em espaços mais alternativos, todos devidamente sinalizados no site. Para a gente aqui, resta uma amostra grátis: receber, por email, o boletim semanal de cada cidade. http://www.lecool.com/

We love Ryanair



Já pensou em pagar, inimagináveis, 15 euros para conhecer Londres? E com 10, ir à Paris? Não, não é loucura. Bem-vindo à Ryanair, talvez a companhia aérea mais barata do mundo. Mais até que a Easyjet, já conhecida pelos brasileiros. Low cost de verdade né, Gol? Claro, tudo tem seu preço. Ela não opera, em geral, aeroportos centrais. E é cheia de regras: o passageiro faz o check online até 15 dias antes da viagem e leva o bilhete impresso. A bagagem de mão deve ter, no máximo, 10 kg e medir 55X40X20. A balança, pasmem, é uma caixinha e certifica peso as dimensões. Mais do que isso, não embarca, tem que despachar, ai a conta aumenta. Mais 10 E (não é muito, mas é o preço da passagem?!) e dá direito à 15 kg. Passou da conta, prepare-se, o excesso aqui custa caro. Os funcionários, mal humorados, ganham comissão pelo que é pago a mais e não deixam passar 1 grama. Não espere “jeitinho brasileiro”, nem “um pouquinho passa”. Daí, a dica dos viajantes de plantão: pratique o desapego, leve pouca coisa e tudo na mala de mão! E nem precisa dizer que tem que pagar (mais uma vez, quase a passagem) pelo lanchinho de bordo, né? Mas, abrir o site e ver o slogan "5 milhões de assentos por 5 euros" e saber que realmente existem, é de pirar?!! http://www.ryanair.com/


03/08/09

Copo americano e balcão


Dica nº 100 de lagartixa roxa é especial e isso de longe quer dizer glamour! A assunto em questão é buteco. Buteco mesmo: cerveja, no copo americano, pra beber no balcão, em SP. Claro, se a pedida for esticar, rola uma mesinha, de preferência na calçada e melhor ainda se for na Rua Augusta. Do lado do centro, o Charm, o BH, o Ibotirama... essa rua é o reino dos butecos, muitos clássicos, boêmios, históricos e democráticos. Justamente por isso tem o clima bacana, entra quem quer, sem rótulos ou esteriótipos, o artista, o hyppie, o porteiro. Cinco minutinhos dali, a pé, uma esquina disputada pelos butequeiros, a da Alameda Santos com Consolação- logo na viradinha de quem vem da Rebouças ou da Dr. Arnaldo. De um lado, o Coffee Corner é aquele bar pra virar cliente. Garçons animados, contam piadas e o melhor, logo já trazem a sua gelada preferida e o churrasco com queijo, divino porque é simples. Do outro lado da rua, o Orange Point vale porque é 24 horas, local onde é cena comum ver, às nove da manhã, pão na chapa e suco de laranja em uma mesa e na outra, cerveja e mais cerveja de quem continua na balada. Caminhando mais para o centro da cidade, a parada é a Praça Rooselvelt, o La Barca. Gente do teatro que divide mesas com vovózinhas que moram nos arredores e contam no relógio dar sete da noite para tomar a sopa do dia. Não duvide em pedir qualquer coisa que estiver na vitrine, o kibe, a esfiha, os salgados são nota 10. A Praça Benedito Calixto não pode ficar fora de um roteiro de buteco: Jeová. Fica bem na esquininha, aquele bar que atrapalha o trânsito aos sábados, o dia da feirinha de arte dali, de tanta gente que disputa um espaço na calçada. É isso: preguiça de lugares que se dizem buteco, de "uma releitura dos botequins cariocas bla bla blá", que de nada preservam o espírito original de um buteco. Patricinhas, fila pra mesa, cerveja artesanal (e cara) e bolinho de arroz que vira "arancini di riso", que nada mais é do que a mesma coisa, só que em italiano!